2005/02/09

A Escola da Amieira, outro exemplo!

Em "A grande fauna" encontrei este "post", que transcrevo. Aqui está mais um exemplo de nepotismo e de arrogância das "nossas" instituições democráticas, como é o caso da respectiva junta. Isto é um país onde a "democracia" só serve para beneficiar, de forma arbitrária e prepotente, meia dúzia de energúmenos. O que as populações sentem, o que necessitam, aquilo a que têm direito, não interessa nada. Também aqui as pessoas se organizaram e reclamam os seus direitos. O resultado, nulo, da sua luta é um bom incentivo à participação e empenhamento cívicos. Resta-nos a abstenção como forema de protesto. Vem bem na linha do "post" anterior. O que começa a ser difícil é encontrar exemplos "outra linha", que nos levante a esperança.
"A situação continua a agravar-se na Escola da Amieira no concelho de Ourém conforme já haviamos postado aqui.
É tudo por causa desta linda casinha que tem inúmeras recordações para as pessoas da Amieira.
O que eu vejo no comunicado que se segue é um caso de polícia.
Será que agora os caçadores têm direito a humilhar as populações dada a força das armas?
Para que serve a junta de freguesia?
Para que serve o Presidente da Câmara?
Para que serve a GNR?
Eis o comunicado:"
"ASSOCIAÇÃO CULTURAL ESCOLA DA AMIEIRA
Comunicado
Graves provocações e humilhações dirigidas pelos caçadores de Urqueira à população da Amieira na sua antiga escola
No dia 6 de Fevereiro de 2005 cerca das 08:00 ocorreram os seguintes factos:
Aproveitando a realização da concentração para a batida de caça às raposas pela direcção dos caçadores de Urqueira, a população da Amieira reuniu-se antes da chegada dos caçadores, para uma visita à escola que tinham frequentado e onde está parte das alegrias e saberes compartilhados no passado recente de todos.
À chegada dos caçadores todos os Amieirenses presentes se encontravam em plena confraternização, pacificamente e com urbanidade recordando os tempos e experiências ali vividas.
Surgiram então caçadores com arrogância auto-afirmando-se donos e senhores daquele espaço público, com provocações, procurando o confronto com a população ali presente proferindo termos ofensivos e injuriosos.
Os Amieirenses formam impedidos de entrar dentro do edifício da escola que frequentaram. O presidente dos caçadores alertado para o sucedido, pelo presidente da Associação Cultural da Amieira nada fez.
A Associação Cultural Escola da Amieira manifesta publicamente o seu repúdio pelos factos, os quais indignaram e ofenderam profundamente a população do lugar.
A Associação tinha solicitado por carta enviada em 1 de Fevereiro ao presidente dos caçadores de Urqueira para não violar a sala de aulas conforme tinha ocorrido a 30 de Janeiro.
A Associação Cultural Escola da Amieira apelou na carta à auto-reflexão e bom senso dos caçadores, sensibilizando-os para locais próprios e melhor adequados para actos que o grupo de caçadores pratica ou pretende vir a praticar.
Foram ainda os caçadores informados dos sentimentos e ligações que os Amieirenses têm com a antiga escola da Amieira.
A ocupação do local emblemático dos Amieirenses pelos caçadores irá ser sempre um elemento de desestabilização e perturbação no bom relacionamento, da boa convivência e urbanidade existente.
A Associação Escola da Amieira interroga-se sobre a negligência do Sr. Presidente da Junta de Urqueira em responder a uma audiência pedida no dia 30 de Dezembro de 2004.
A Direcção,
Amieira, 07 de Fevereiro de 2005"

É um bom exemplo de como se devem fomentar incidentes e problemas entre pessoas, como se deve agravar a degradação das condições de vida das pessoas, nas aldeias. Que gente mais reaccionária!

Ribeira dos Milagres, um exemplo!

Numa resenha rápida de assuntos sobre os quais gostaria de escrever, identifiquei 10 (dez). Entre estes é difícil estabelecer prioridades, porque todos me preocupam, me perturbam, me indignam, me revoltam. Quando me sinto assim e sei que vários milhões de outros cidadãos deste país têm razões para se sentir como eu, se não pior, percebo porque é que somos um povo triste, taciturno, consternado, até no semblante. Isto tem de ser assim? Não tem! É crime que continue a ser assim e temos que dizê-lo claramente. Os políticos estão a destruir-nos, como povo! Isso não pode ser permitido, nem pode passar impune.
Olhando para o papel, elegi, como primeiro assunto, a Ribeira dos Milagres. Porque é um dos assuntos que ainda não abordei; porque é um bom exemplo dos motivos que levam uma parte da população a se abster; porque é um bom exemplo da forma como se destrói a auto estima (e a esperança) do nosso povo.
Julgo que falando da “Ribeira dos Milagres”, toda a gente sabe que estou a falar de descargas poluentes, em cursos de água naturais. Pois é.
Agora mesmo, em plena campanha eleitoral, com promessa de referendo sobre a co-incineração e tudo, aconteceu mais uma “descarga poluente”. A situação já se tornou tão trivial que a comunicação social nem lhe dá grande relevo. Como este é um dos assuntos que me escandaliza, deveras, lá fui eu, ao motor de busca, tentar fundamentar melhor as minhas palavras. O que é que encontrei? Referências a descargas poluentes, com grande destaque na comunicação social, desde Dezembro de 2003, pelo menos (não procurei mais).
Formaram-se associações cívicas, o local foi visitado por ministros, pelos “Verdes”, etc. Foi objecto de protestos públicos, mais ou menos “mal cheirosos”. Resultado disso tudo? NADA!
Mais uma vez constatamos que os nossos políticos prometem "grandes medidas" megalómanas, para resolver os problemas da poluição, mas não fazem cumprir o simples. Conclusão: estão a enganar-nos!
A Ribeira dos Milagres é apenas mais um exemplo do que leva as pessoas a não acreditarem nos políticos, a não acreditarem no poder, a não acreditarem nas instituições; a se absterem. Todos sabem que as descargas são proibidas; as suas proveniências estão identificadas. Portanto, as pessoas reclamam e estão cheias de razão; têm a lei do seu lado, organizam-se e até fazem participações às forças da ordem; mas, nisto como em muitas outras coisas, a resposta que têm, de quem deve fazer cumprir as leis é: NÃO! É a mesma resposta que os políticos (e seus sequazes) têm para o povo, em todas as circunstâncias. Esperam agora que voltemos a votar neles, para continuarem a dar protecção a quem comete este tipo de crimes (e outros ainda piores)?
Ah! Já sei. A cadeia é só para inocentes; e para uns desgraçadecos que são apanhados distraídos, em situações para que foram lançados (sem outra opção) pelas circunstâncias da vida.
A Ribeira dos Milagres é um bom exemplo (apenas mais um) da falsidade das promessas eleitorais, de todos os partidos.
Para resolver um problema destes basta um mínimo de dignidade e de vergonha, nas nossas instituições, nos órgãos do governo, nos nossos políticos. É um bom exemplo do que é o cúmulo da hipocrisia dos políticos que prometem grandes medidas para resolver outros tantos problemas e nem sequer conseguem resolver, como devem, uma situação tão simples, tão clara e tão premente, para que apenas é necessário cumprir a lei. Isto é perfídia pura. Nunca eu votarei em gente tão pérfida.

2005/02/07

Convite. Avançar na discussão!

Este texto, da autoria de Boavida, está em comentário, no post "A abstenão e a democracia". Aqui fica a divulgação, como convém. Pela minha parte estão todos convidados para participar.
"A leitura deste mesmo artigo foi a gota de água que me atirou para a via que, com estima, lhe proponho neste meu:
CONVITE
O que mais me vem atormentando, nesta minha curta estada na “blogosfera”, é a inevitabilidade com que, num ápice, a fria estrutura do blogue transfere para o “arquivo morto”, tudo o que de bom por cá tem passado, e nem mesmo os mais dramáticos alertas ou as mais profundas análises conseguem sobreviver a tão avassaladora máquina.
Porque também para estas coisas o domingo é um excelente dia, esbocei hoje o anteprojecto de uma outra forma de blogue a que chamei “Na mesa do canto”, para a qual tenho o maior gosto em convidá-lo, e onde entendo que, com o seu prestimoso contributo e de mais uns quantos amigos destas andanças, se poderá desenvolver um interessante trabalho de grupo.
Os temas de conversa surgirão, naturalmente, por proposta dos participantes, e manter-se-ão em debate enquanto eles nisso manifestarem interesse.
Obviamente que não reservo para mim qualquer direito, de propriedade intelectual ou outro; apenas manterei, por razões de operacionalidade, o cargo de “fiel de armazém”, e, claro, terei todo o gosto em pagar as bicas!
Agradecia ainda que tornasse extensivo este desafio a outros seus amigos cujos pontos de vista entenda dever partilhar connosco.
Um abraço
Boavida
PS.
Por favor, faça lá chegar as suas dúvidas, propostas e sugestões. Serão seguramente bem acolhidas."
O link do blog já está feito, na margem.