2005/05/04

"Nós", os Políticos e a Democracia! (2)

No artigo abaixo, intitulado: "Nós", os Políticos e a Democracia, o Luis, deixou o seguinte comentário:
"Antes de mais, quero deixar bem claro que não pretendo dar lições a ninguém. Quando entro num debate, gosto de dar a minha opinião, expondo as razões que me levam a pensar como penso. E não tenho problemas em mudar de opinião, se me apresentarem argumentos mais válidos do que os que tinha inicialmente.
Dito isto, começaria por defender a coerência das minhas palavras, a qual é posta em causa no seu ponto 2.
Por favor, não descontextualize o que eu disse! Quando afirmei que “não posso concordar que se dê, à opinião de quem não vota, um valor superior àquele que lhe é devido” não estava a falar do caso actual! Estava a referir-me à eventual colocação em prática da sua proposta, tendo em conta a inevitabilidade da abstenção técnica! Pode comprová-lo no comentário original.
Logo a seguir, o Biranta volta a descontextualizar aquilo que eu afirmei, quando diz que eu estou do lado “deles” – pelo que subentendo, do lado dos políticos desonestos e incompetentes. Pois bem... esqueceu-se de que essa frase completa é: “Concordo que é preciso encontrar novas formas de responsabilizar os eleitos. Mas isto se é para uns, é para todos, e por isso sou absolutamente contra a desresponsabilização dos eleitores. E, na prática, é isso que acontece se for dado peso parlamentar à abstenção”. Confirme, se faz favor.
Resumindo, eu sou a favor da responsabilização de eleitos e de eleitores e não, como você acusa, da inocentação de quem tem os cargos, qualquer que seja o uso que fizer deles.A desresponsabilização é coisa que nunca me verá defender! Aliás, uma das razões porque assino o que escrevo na Internet com o meu nome verdadeiro é porque não tenho problemas em ser, eventualmente, responsabilizado pela expressão dessas opiniões.
Quanto às acusações que me faz no resto do texto – demagogia, chantagem emocional, terrorismo intelectual, atitudes ditatoriais, falta de argumentos, etc. – vou optar por ignorá-las, pois penso que convém realmente manter determinado nível de civismo, já que também eu gosto de respeitinho...
Na blogosfera, e não só, tenho tentado ter sempre uma atitude proactiva, avançando com ideias e soluções – por pequenas que sejam – para a melhoria do bem-estar colectivo. Penso que esse tipo de atitude é essencial para sair da “bandalheira actual”, como lhe chama.
Por exemplo, em relação ao sistema eleitoral, tenho apontado as falhas do sistema actual e avançado com sugestões concretas para as resolver sem grandes complicações – vide o estudo “Diz-me onde votas, dir-te-ei quanto vales”.
Estudos como este têm-me tomado tempo precioso, mas é com gosto que os faço e os tento divulgar pelo maior número possível de pessoas, em busca do debate de ideias, da crítica e de pontos de vista diferentes do meu.
Como a noite já vai longa, fico-me por aqui, mas não sem antes notar que o comentário que refere em (6) pertence, curiosamente, ao meu amigo Henrique Craveiro, cuja visão do que deveria ser a vida política é muito similar à minha..."
Fim
Divergências à parte, talvez tenhamos os mesmos objectivos...
Admito perfeitamente que "não sou muito" de avançar com soluções "por pequenas que sejam". Deve ser um "defeito de fabrico", mas como as soluções, quando são "pequenas" correm o risco de não ser, sequer, "soluções", deixam de me interessar. Habitualmente, deixo isso das "pequenas soluções" para os gestos do dia-a-dia, para a vida particular, como forma de não contribuir para aumentar "os males do mundo", mas sabendo que fazem pouca diferença e lamentando, sempre, ver faltarem as soluções que deviam ser implementadas, oraganizadamente, para resolver esses e outros problemas. Tanta coisa tão fácil de resolver, (pelos políticos e por quem tem os cargos) que contribuiria tanto para melhorar o mundo e as nossas condições de vida em sociedade...
Quando se trata de política, de sistema eleitoral, de coisas assim, de facto, a minha "ambição" (em matéria de eficiência das coluções propostas) é grande. Nisso não costumo "deixar créditos por mãos alheias", nem ser tolerante para com quem tem os cargos apenas para se servir deles; que acham que podem manter os cargos mesmo evidenciando, todos os dias, que não sabem o que fazer com eles, que não resolvem os respectivos problemas.
Este tipo de situações mantem-se e tem-nos destruido porque os políticos nos tentam convencer que não existem (outras) soluções, aduzindo uma série de desculpas, bem conhecidas de todos, que me escuso de reproduzir aqui. Isso é falso! As soluções existem (e as pessoas adequadas para as implementar também) e os problemas só não são solucionados por deficiência de democracia.
Os políticos não sabem nem querem saber das soluções, nem as procuram, nem se preocupam com isso, porque são arrivistas e desonestos, prepotentes e autocratas, servindo-se de todo o tipo de ideias cretinas para nos convencerem de que tem de ser assim, porque o povo não sabe decidir, não sabe o que quer, decide mal (somos todos estúpidos, feios, porcos e maus) e por isso tem de haver quem governe, com condições para governar (isto é apropriando-se de representatividade que não tem).
Isto tudo é manipulação, infame e criminosa, da opinião pública, propaganda nazi, que só pode ter como resultado o descalabro de situação que vivemos, actualmente. O que resulta é um sistema tão pérfido nos seus pressupostos e funcionamento como o regime feudal.
Tudo isto é incompatível comos conceitos básicos duma sociedade organizada e evoluída. Tudo isto é incompatível com os conceitos de liderança e de legitimidade de governação democrática. Se os nossos políticos não obtêm a confiança e os votos dos cidadãos é porque não sabem ser líderes. Também por isso (ou a demonstrá-lo) não sabem governar nem resoilver os nossos problemas. Então porque é que se devem manter no poder?
Daí o facto de eu teimar em que tem de haver democracia no sistema eleitoral, valorando a abstenção!
Há outros motivos pelos quais eu defendo a valoração da abstenção: actualmente, a nossa situação chegou a um descalabro tal que não adianta colocar algumas pessoas honestas em lugares da governação, porque existem vários sectores onde, como diz o amigo Raúl "qualquer coisa que se faça para melhorar, esbarrará sempre com a oposição de todos os influentes a quem esta situação serve na perfeição".
Perante situações destas, o que fazem os governos? Cedem, rebaixam-se, desculpam-se (como se tivessem desculpa) e até legislam no sentido de manter e agravar os problemas dos cidadãos, em cada um desses sectores. Temos vários exemplos, mas o mais flagrante é o do PGR.
Os crimes que assim se cometem e estas atitudes dos governos levantam um coro de protestos e denúncias e apelos e cartas abertas e fechadas, por parte dos sectores mais dignos da sociedade e, sobretudo, por parte dos cidadãos, cuja indignação e revolta cresce todos os dias. Mas tudo isto é ignorando, inclusive pelos políticos, porque este país se transformou no local sem lei nem dignidade, a definhar nas mãos de criminosos.
Istro não é admissível, nem os políticos podem ser inocentados de tais situações, porque é a eles que é entregue o poder. Por isso há que implementar um sistema eleitoral em que os políticos sejam responsabilizados por tudo isto, porque a responsabilidade é deles.
Eu admito que alguns destes problemas sejam difíceis de resolver. Mas, caramba! Eles têm de se resolvidos. Portanto, se os governos não sabem resolvê-los, ou "ter mão" nesta gente e seus crimes, então façam com que haja mais cargos que passem a ser de eleição directa, tenham a coragem de obter a opinião dos cidadãos e procedam em conformidade, assim legitimados.
Mas não! O que se vê é precisamente o contrário, porque os políticos são os principais cúplices, premeditados, deste estado de coisas! Impera a desculpa de que somos estúpidos e não sabemos o que é bom para nós e, em consequência, perpetuam-se os crimes que denunciamos todos os dias, com que nos indignamos todos os dias, que nos têm destruído e continuam a destruir.
Portanto, é necessário que o sistema eleitoral permita que os políticos sejam punidos por cada infâmia que cometem, ou deixam cometer, sobre todos e cada um dos cidadãos. É necessário recuperar a nossa dignidade colectiva, que tão ultrajada está.

2005/05/03

Crimes Sancionados pelos Tribunais!

Uma queixa real, acerca dum caso Real, dum crime executado, praticado, pelo Tribunal. O pior é que este tipo de casos é demasiado vulgar...
Esta queixa não teve seguimento, apesar da gravidade dos factos descritos e das provas existentes. A "queixosa" foi executada, por decisão do Tribunal, tendo o facto atingido um seu familiar, visto que não possui bens, nem emprego. É apenas um exemplo, mais um de como a justiça neste país só actua às ordens de criminosos. Parece que, neste caso, a "peça chave" deste "esquema" é o "perito".
Transcrição:


"Ao D.I.A.P.
Lisboa

Vem apresentar queixa crime contra:
YZ e ZK que lhe moveram o processo nº 1396/2000, cujo paradeiro desconhece e requer que seja obtido daquele processo.
Por burla agravada, vigarice, extorsão.
Nos termos e com os fundamentos seguintes:
1. A queixosa é sócia dos dois indivíduos acima referidos, na Firma XZ, sociedade constituída em Maio de 1995;
2. A participação da queixosa nesta sociedade inseriu-se num processo de criação do próprio emprego, co-financiado pela Segurança Social, após um largo período de desemprego da queixosa;
3. À data da escritura de constituição desta sociedade, a queixosa era a única sócia que não tinha emprego nem outros rendimentos e, portanto, teria de ser, obrigatoriamente, remunerada; O sócio YZ estava empregado e a sócia ZK estava reformada;
4. Por isso, e também em consequência do facto relatado no ponto 2, estabeleceu-se, verbalmente e de comum acordo, que a queixosa teria a seu cargo, as vendas, as entregas e serviços inerentes, trabalhando a tempo inteiro e auferindo o vencimento bruto de 150 mil escudos, acrescidos de 5% sobre as vendas; a sócia ZK, como sócia maioritária seria a principal responsável pela gestão e deveria assegurar o restante expediente, embora sem horário; e o sócio YZ asseguraria as questões ligadas com a informática, fora do seu horário de trabalho. Estes outros dois sócios seriam remunerados pelos resultados líquidos, visto que, com o reduzido montante de capital inicialmente investido, não seria possível à Sociedade, manter-lhes um vencimento.
5. A sede da empresa situa-se em instalações que são (eram?) propriedade da sócia ZK e, dado que se tratava da sua residência, alugaram-se outras instalações para a empresa funcionar. O endereço da Sede e o endereço, diferente, da sala onde a XZ funcionava, são comprovados através dos documentos dos anexos 6, 7 e 8.
6. Todavia, o sócio YZ nunca deu qualquer apoio e a sócia ZK também abandonou, por completo, a queixosa, naquelas instalações, em Agosto de 1996, sem que a queixosa alguma vez tivesse recebido alguma remuneração, nem tenha tido notícia, até hoje, de terem sido liquidadas as correspondentes contribuições ao fisco e à Segurança Social.
7. Dado que a escritura de constituição exige a assinatura de dois sócios para obrigar a empresa, e também porque não era (não é) humanamente possível, à queixosa, assegurar todas as tarefas necessárias, o facto descrito no ponto 6, impossibilitava, por completo, o funcionamento da Empresa, pela que a queixosa acabou por se ver obrigada a desocupar também as instalações, entregando a chave ao senhorio, até porque não dispunha dos meios para pagar a respectiva renda, nem legitimidade para movimentar a conta da empresa. Daqui resulta que a queixosa nunca poderia administrar, sozinha, “coisa alheia”, como refere a fundamentação da sentença do processo referenciado. Logo, se a acusação tivesse qualquer fundamento, pelos menos um dos outros sócios teria que ser seu cúmplice.
8. Devido ao não recebimento dos vencimentos e ao facto descrito no ponto 6, a situação financeira, particular, da queixosa era (e é) de tal maneira grave que, durante muito tempo, ficou, por completo, sufocada e assoberbada com os seus problemas de simples sobrevivência e da árdua gestão das suas enormes dívidas que subsistem até hoje. Os documentos anexos 1, 2, 3 e 4, ilustram o quão grave era esta situação.
9. Cabe esclarecer que, ao que a queixosa julga saber, a principal razão do abandono da sócia ZK, relatado no ponto 6, se deveu ao facto de ter arranjado um namorado, com quem terá casado, posteriormente. Mas a queixosa estava bem longe de sequer imaginar que esta actuação de abandono da empresa fosse premeditada, por parte do marido da sócia ZK, com o objectivo de perpetrar os crimes aqui denunciados. Porém, mesmo que o suspeitasse, nada podia fazer, porque a nossa justiça nunca funciona quando os cidadãos têm razão, nem a queixosa dispunha ou dispõe dos meios financeiros necessários para se defender doutro modo.
10. Este último episódio é aqui relatado, para que se perceba o grau, conspirativo, de premeditação que presidiu aos crimes participados. Que consiste na invocação de fundamentos falsos, para execução fiscal, com o objectivo de expropriar as vítimas, permitindo a prática de peculato pelos executantes. Não há forma melhor, nem mais segura, de cometer este tipo de crimes, do que fazê-lo através dos Tribunais (nem mais pérfida). Até é difícil acreditar na boa-fé dos próprios agentes da justiça.
11. Assim foi que a queixosa acabou por ser processada pela XZ, com argumentos totalmente falsos, processo nº 1396/2000, de cuja sentença se junta cópia, anexo 5. Os argumentos deste processo (e os fundamentos da decisão) são de tal maneira falsos e tão obviamente falsos, que custa a acreditar que tal tipo de vigarices sejam possíveis de sancionar, pelos próprios tribunais. Não há democracia que possa sobreviver a este estado de coisas.
12. O facto é que a queixosa não só não deve nada aos outros sócios da XZ, como ainda é credora da empresa, bem como são devidas as contribuições à segurança social e ao fisco. Mas, apesar de serem aqui acusados os outros sócios da XZ, porque é deles a competência, convém esclarecer que, ao que tudo indica, esta acção de vigarice com intenção de extorsão é promovida e empreendida pelo marido da sócia ZK, com a colaboração consciente do perito referido na sentença, de quem a queixosa chegou a ouvir falar, em Dezembro de 1996, numa das duas desesperantes visitas da sócia ZK e do marido, às instalações onde funcionava a firma. É mesmo legítimo suspeitar que, estes “protagonistas”, já terão feito o mesmo, muitas outras vezes. São actos próprios de gente, sem escrúpulos, que exulta com a crise e com as dificuldades económicas dos cidadãos, que assim se tornam em vítimas mais fáceis, porque completamente privadas dos meios mínimos de defesa.
13. As alegações do citado processo são inteiramente falsas como se pode comprovar pela leitura da própria escritura de constituição, que estabelece que são necessárias duas assinaturas para obrigar, pelo que a queixosa nunca poderia “ter administrado bens alheios”, no sentido que a sentença do processo pretende dar à expressão;
14. Ademais, a queixosa nunca teve acesso à sede da Empresa, donde se alega terá retirado todos os bens, o que é inteiramente falso e constitui perjúrio. Até porque, se este argumento não fosse falso, os outros sócios teriam, imediatamente, apresentado queixa crime, como é absolutamente óbvio. Não passa pela cabeça de ninguém que seja possível um qualquer cidadão chegar a um local de trabalho e constatar o desaparecimento de tudo e não se dirigir imediatamente à polícia a participar o facto. O que não foi feito, porque não havia motivo para tal. Os argumentos do processo aqui citado são tão obviamente fraudulentos, que deixam qualquer pessoa perplexa.
15. A própria exigência de que a queixosa, apresentasse contas, constitui também um sofisma absurdo e inconcebível, a evidenciar premeditação já testada; porque a queixosa não tinha nem tem a competência, nem os documentos ou os meios para tal. Sabendo o cidadão (e a queixosa, por experiência própria) da tacanhez e ineficiência dos tribunais, quando se trata de ressarcir, adequadamente os cidadãos realmente lesados, quando estes têm razão, factos como os aqui descritos não podem deixar de causar sérias e assustadoras apreensões quanto ao funcionamento do Estado de Direito, por indiciarem a existência dum estratagema padronizado, com a conivência de todos os intervenientes e com acesso, antecipável, às decisões judiciais. A queixosa até admite que os acusados aqui identificados possam ser os menos responsáveis. Tendo-se limitado a consentir na utilização do pretexto, talvez mesmo inadvertidamente. Mas um tamanho crime tem autores e devem ser exemplarmente punidos.
16. Para atestar, também, a falsidade dos argumentos do processo acima identificado, devem os arguidos ser notificados para juntarem a este processo:
· Os mapas dos vencimentos da queixosa, como responsável das vendas, que deveriam ter sido entregues à segurança social e guias de pagamento das respectivas contribuições, obrigatórias. Sublinhe-se que estes vencimentos e as respectivas contribuições são indeclináveis. Em qualquer caso, a queixosa teria sempre que ser remunerada (isto para além da confissão, existente naquele processo, de que “administrava coisa alheia”; isto é: trabalhava por conta de outrém).
· As guias de pagamento do IRS, devidos pelos recibos da queixosa;
· As declarações de IRC, de 1995 e de 1996, com especificação dos montantes das despesas, nomeadamente os vencimentos da queixosa; e restantes encargos afins;
· As declarações de IVA, para apuramento das comissões sobre as vendas, que eram devidas à queixosa;
· Os comprovativos dos pagamentos, que não foram feitos, à queixosa, da comissão de 5% sobre as vendas, que, a terem existido, seriam perceptível pelos movimentos de caixa e bancos.
· Os estratos bancários e folhas de caixa, com identificação dos respectivos movimentos;
· O organigrama da empresa, com identificação dos titulares dos diversos cargos e respectivas funções;
· Cópia da Escritura da sociedade
Com estes elementos se poderá verificar que todos os argumentos do processo são falaciosos e falsos, construídos sem qualquer suporte real, apenas para o fim (criminoso) já referido. É essa análise sistemática e minuciosa, à luz das disposições legais aplicáveis às sociedades por quotas, que se solicita, para fazer prova e confirmar os fundamentos desta acusação.
17. Com estes elementos, que o Tribunal deveria ter solicitado, será fácil comprovar o crime aqui participado, inclusive por não existência, nas declarações de IRC, do saldo “apurado”, que também constitui falsa declaração, com objectivo de espoliar a queixosa. Antes se verificará que a queixosa é que é credora da XZ e foi, por esta, gravemente lesada. De facto se aquele saldo existisse, ele teria que estar reflectido na declaração de IRC de 1996, e subsistir depois de inscritos os encargos com os vencimentos da queixosa e respectivas contribuições legais, o que não acontece.
18. Há muito tempo que a queixosa tem a convicção de que uma grande parte dos crimes económicos, nomeadamente de fuga ao fisco, passam por debaixo dos narizes dos nossos juízes; e alguns dos crimes mais pérfidos têm mesmo o despacho favorável dos tribunais. Este caso vem confirmar esta assustadora suspeita.

Assim, a queixosa solicita o respectivo procedimento criminal e condenação de todos os envolvidos, porque é óbvio que os arguidos privaram a queixosa dos seus vencimentos e remunerações, abandonaram a empresa e esquivaram-se às suas responsabilidades, já com a premeditação de conseguirem, assim, forjar pretexto para ainda a espoliarem de quaisquer outros bens que tenha, visto que ficou até privada dos meios mínimos para se poder defender, porque a sua própria sobrevivência tem estado em causa. Acresce ainda que os arguidos, na qualidade de representantes e proprietários da firma XZ, que invocam naquele processo, devem ser coagidos a provar que cumpriram todas as obrigações, para com o fisco e a segurança social, aqui enumerados, que a queixosa sabe não terem sido cumpridos, até hoje.
A queixosa requer ainda que seja decretada a dissolução da Empresa XZ, que não tem existência real, já há muito tempo.
A queixosa pretende também ser convenientemente indemnizada pelos danos que lhe têm sido causados por toda esta situação, resultante dos crimes participados e das acções forjadas para lhes servir de pretexto.
Em face da proliferação de casos como este, na nossa sociedade, que são do domínio público, é forçoso concluir que, em Portugal, a mentira é uma forma habitual e tolerada de litigação, dando origem a situações ignóbeis, que provocam a indignação, a revolta e o ódio dos cidadãos, (que vemos, diariamente, estampado no rosto das pessoas) impedindo o país de progredir. Sem respeito pelos direitos dos cidadãos, sem justiça e sem democracia, nenhum país pode progredir. Sem eficiência na Justiça, não pode haver eficiência, nem produtividade, nem mobilização dos cidadãos para resolver os problemas do País. A confiança dum cidadão vilipendiado através dos tribunais, é um bem precioso que, uma vez perdido, dificilmente é recuperável. Estes crimes são autênticos atentados conspirativos contra o Estado de Direito e o progresso do País.

Anexos:
1. Carta da C.G.D. datada de;1996/07/14;
2. Carta da C.G.D. datada de 1997/03/17;
3. Carta da Ordem dos Engenheiros de 19 de Setembro de 1996;
4. Notificação do Tribunal de 1ª Instância, relativa à taxa de esgotos.
5. Sentença do processo nº 1396/2000, 8º Juízo Cível.
6. Liquidação de IRC da firma XZ, de 1995, endereçada à sede;
7. Documento de lançamento, de bancos, endereçado às instalações;
8. Envelopes, de cliente e fornecedor, endereçados às instalações.

Termos em que se requer seja feita a adequada investigação e os acusados sejam punidos exemplarmente, de acordo com as disposições legais aplicáveis, devendo ainda a queixosa ser indemnizada convenientemente."
Fim
Não houve qualquer investigação! Tudo isto é normal e aceitável, neste país.
Sr. Engº José Sócrates! Quando é que vai perceber que a demora dos tribunais é premeditada e devida ao facto de existir gente que assim se serve deles, porque têm cumplicidades nso próprios Tribunais? Enquanto este tipo de casos, que são muitos, não passarem a ser rigorosamente investigados e os seus autores punidos, não há lei nem "orientação" que faça qualquer diferença no descalabro em que vivemos. E os juízes, funconários, peritos, procuradores? quando é que começam a exigir que se separe "o trigo do joio", para salvaguarda da sua própria honorabilidade e prestígio? Depois queixam-se de que os cidadãos "metem tudo no mesmo saco".

"Nós", os Políticos e a Democracia!

O Sistema Eleitoral por que lutamos.
Voltemos ao Sistema Eleitoral. O “pretexto” é o comentário do Luís, autor de “Sistema Eleitoral”.
No último artigo que escrevi sobre o assunto: “Alterações à Lei Eleitoral. Valorar a Abstenção!”, o Luís deixou o seguinte comentário:
“há uma ideia que perpassa na sua argumentação com a qual não posso concordar: a divisão do mundo em "nós", os cidadãos, e "eles", os políticos.
Conheço pessoas que entraram na vida política por quererem mudar algo na sociedade e desempenharam competentemente os cargos para que foram eleitas. Por isso, não as meto no mesmo saco de outras que lá estão para se "orientarem".
Apesar de não gostar dessas "más rezes", sou da opinião que não devemos aplicar uma lógica "bushiana" à vida política, em que os eleitores são os 'bons da fita' e os eleitos integram o 'eixo do mal'.É que, bem ou mal, 'nós' só não somos 'eles' devido à nossa falta de vontade ou à falta de vontade de outros como 'nós'..." Fim.
Pois é, meu querido amigo Luís, isso, a que você chama “ideia” é, afinal de contas, uma dura e triste e tenebrosa e absurda e infame, realidade.
E, deixe-me que o esclareça, pela minha parte “nós”, quero dizer: “eu” não somos “eles”, nunca poderíamos ser “eles”, nem a bem, nem a mal, nem de maneira nenhuma. Pelo simples facto de que se “nós”, quero dizer “eu”, fôssemos “eles”, nunca seríamos “eles”, porque não conseguiríamos, por mais que nos esforçássemos, ser tão incompetentes, nem tão desonestos.
Não sei se me faço entender, mas essa sua lógica redunda numa espécie de “pescadinha de rabo na boca” que, mais do que afirmar, sugere que “eles” são assim, fatalmente, porque assim têm de ser e que outros que sejam “eles” serão iguais. Tenha dó! Há muitas formas de esmagar a auto estima e a esperança dum povo, mas esta sua é refinada. Para além de ser desculpabilizadora de todas as patifarias cometidas pelos políticos.

Você fundamenta a sua opinião pelo facto de conhecer pessoas que entraram na vida política… e desempenharam bem o seu papel. Apetece dizer, a essas pessoas: Agradecemos muito… por nada. Porque não conseguiram fazer qualquer diferença, nada mudou, no essencial, a partir do seu desempenho. Ou seja, por muito bem intencionadas que fossem, ou sejam, não nos podem impingir, num único bloco, toda a escumalha que prolifera e abunda entre os políticos, apenas porque eles “desempenharam competentemente…” Além disso, ainda teríamos que validar o “competentemente”, depois de conhecermos “a obra feita” e o seu contributo para o progresso do País.
Mas não vamos por aí, porque isso é desviar a conversa do seu objectivo; discutir questões marginais, até do ponto de vista do seu valor intelectual.
Aliás, esta discussão só está a acontecer porque os seus “pontos de vista” são os mesmos com os órgãos de comunicação social (OCS) e os “comentadores” que colonizam a nossa maneira de pensar colectiva, costumam envenenar a “opinião pública”, baralhar as pessoas, criar divisões e cepticismos colectivos; numa palavra: dividir para reinar. Por isso e só por isso (porque há uma montanha de ideias cretinas (e respectivos argumentos) a desfazer é que estou a responder-lhe, assim. Senão arrumaria a coisa em poucas palavras.
Há duas coisas que quero deixar bem claras:
(1) Não recebo “lições” de isenção, nem de civismo, nem de raciocínio lógico, digno, de ninguém. Porque não sou responsável pelas limitações de compreensão, ou isenção, ou coerência de quem quer que seja. Isto a propósito de aplicarmos uma lógica “bushiana”.
(2) Não sei que lógica é que você aplica, mas sempre quero lembrar-lhe estas suas palavras:
“É que, se sou contra que se sobrevalorize, em demasia, os partidos mais votados ou os partidos menos votados, também não posso concordar que se dê, à opinião de quem não vota, um valor superior àquele que lhe é devido”.
Reconhece estas palavras? Se não se lembra, procure, no seu próprio site, porque elas estão lá e são suas. Esta sua frase é uma perfeita contradição, tendenciosa; senão vejamos: Tal como é contra que se sobrevalorizem os partidos, também é contra “que se dê um valor superior àquele que lhe é devido, a quem não vota”.
“Se dê um valor superior ao que é devido”? Mas, neste momento, essas “opiniões” não têm qualquer valor, sendo os respectivos “opinadores”, pura e simplesmente, eliminados do “mapa dos cidadãos”, de forma absolutamente nazi, após as eleições, passando a ser, apenas, gente(alha) com deveres (de sustentar as máfias que nos governam; e são muitas). Portanto, o que para mim é uma exigência de elementar democracia, de correcção duma prática nazi, que contribui para que os nossos problemas (que o são, principalmente, de democracia) sejam resolvidos, para si é assim uma coisa como: “dar um valor superior àquele que lhe é devido”. Certamente que você não ignora que um argumento destes “arruma” qualquer discussão, entre nós!
Mas há outras passagens em que você “confirma” a existência de “nós” e “eles”, colocando-se, claro está, do lado deles; olhe só: “sou absolutamente contra a desresponsabilização dos eleitores. E, na prática, é isso que acontece se for dado peso parlamentar à abstenção.”
Ou seja: para si também existe “nós” e “eles”, só que você está do lado “deles”, contra nós, a achar que somos responsáveis por não termos voz, por ninguém nos ouvir, ou respeitar, ou se comportar dignamente no desempenho dos cargos políticos. Nestas suas frases é bem evidente que você acha que quem tem os cargos deve ser desresponsabilizado e os cidadãos é que são, afinal, “os maus da fita”. Ou seja, nesta sua lógica, quem tem os cargos está sempre inocentado, qualquer que seja o uso que fizer deles e os cidadãos é que são responsáveis pelos crimes dos políticos e dos seus comparsas, das máfias todas que por aí andam, apesar de se indignarem com isso, de o dizerem, de serem continuamente afrontados por esses patifes que não nos ligam nenhuma; apesar de fazermos tudo o que pudemos contra isso e até o que não pudemos, nem temos obrigação de fazer; apesar de não pudermos fazer mais nada, porque “eles”, os que pensam como você, nos impõem que sejamos cidadãos sem direitos. Claro que assim não há soluções para os nossos problemas, nem nunca haverá. Portanto, se você não tem propostas que sejam solução para alguma coisa, também não admira que não compreenda como é que as minhas propostas podem ser solução. Ei garanto-lhe que são!
O que eu me pergunto é que tipo de estrutura intelectual, que tipo de honestidade é que têm pessoas assim, para dizerem, como dizem, habitualmente, que a culpa é dos “outros”, dos que não têm direitos nem poder, fomentando a misantropia e a falta de respeito entre os cidadãos?
Claro que, pensando você assim, não lhe passa pela cabeça que eu possa pensar doutro modo, ter outro tipo de isenção, ter outros fundamentos para as minhas opiniões, nem objectivos mais nobres… E fiquemo-nos por aqui, porque você nem imagina o que eu seria capaz de dizer, se quisesse fazer a correcta “caracterização” destas suas “opiniões”. Isto para lhe explicar que essa sua abordagem de “lógica bushiana” me parece demagogia, chantagem emocional, terrorismo intelectual; numa palavra: “argumentos” próprios de quem não tem argumentos; de quem quer defender como aceitáveis, à viva força, a qualquer custo, coisas que sabe não o serem. Uma forma de inibir opiniões contrárias, para impor as suas, porque sabe que elas não têm valor suficiente para se imporem por si. Tudo atitudes que, comigo, não pegam. Tudo atitudes ditatoriais, bem nossas conhecidas, que estão na origem da situação a que chegámos, porque têm sido usadas e abusadas desde o 25 de Abril, por todos os partidos. Próprias dos tiques nazis e totalitários dos partidos políticos. Se eu lhe fizesse o mesmo, se caracterizasse, de igual modo, as suas “opiniões”, comparando-as com aquilo a que são comparáveis, garanto-lhe que você não voltaria a esta página. Portanto, mantenhamos o nível da discussão, porque respeitinho é muito bonito, e eu gosto…
Eu defendo a valoração da abstenção, sim! Cada vez a defendo mais e com maior número de razões. Defendo-a sobretudo porque é uma questão de elementar e fundamental democracia… aquela “coisa” tão estranha aos partidos.
Defendo-a também porque é uma via segura de resolução dos nossos problemas. De facto, dos argumentos acima e de tantos outros semelhantes, o que resulta é que essas pessoas não querem a valoração da abstenção porque “gostam” das suas ideias actuais e lhes dá muita maçada analisar objectivamente as coisas e correr o risco de mudar de opinião, mas também não conseguem enunciar alguma forma de sairmos disto, de os nossos problemas terem solução, que não seja: a culpa ser dos outros, criminalizar as opiniões dos outros e as atitudes dos outros, porque as “suas” boas soluções não respeitam os outros, como convém à democracia; ao contrário: excluem os outros!
Mas eu sou capaz de trocar esta minha proposta por alguma outra que, sendo democrática e respeitando integralmente todos os cidadãos e sensibilidades, seja capaz de resolver os nossos problemas. Mas nunca pela bandalheira actual, onde não há saídas, nem se quer que haja saídas. Portanto, fica o desafio!
Para terminar, só quero que saiba que não sou só eu que vejo as coisas assim. Você sabe, mas eu quero que fique bem claro. Por isso, transcrevo vários comentários, doutros “blogueres”. Aqui vai:
(1) “Como tu, também eu defendo que estamos a necessitar, urgentemente, de novas formas de organizar as sociedades e o mundo, porque afinal, as chamadas democracias ocidentais, estão muito longe de o serem.Também comungo contigo da convicção de que a maioria dos políticos que andam por aí, são meros arrivistas a lutar pelos seus interesses particulares e não pelos colectivos, como apregoam”
(2)
“Começo assim uma das cantigas do Fausto, e remata depois:
"...eu não quero o que tu quereseu sou doutra condição
Nada melhor para ilustrar o que eu penso desta chamada "democracia". Volto a repetir: "FALACIOSA", de "CARROCEL", sempre comandada por quem detém os comandos da maquineta.
Esta fabulosa "máquina engana tolos" coloca em quem nela anda a sensação de que são realmente livres, quando o não são. Quem tem e terá sempre o poder são os senhores que a manobram.
Ao entrarmos neste "jogo", escolhendo ora um ora outro animalzinho para (nos) cavalgar, estamos a alimentar o sistema. Quando exigimos mudança, só muda o bichinho montado, nunca o(s) Dono(s) do Carrocel.”
(3)
“Mas se não acredita nos políticos, se está plenamente desconfortado, desiludido até, com essa corja de oportunistas..."
Estou sim senhor. Ou por outra, se calhar nem tanto. Mas então este país não teve 30 anos de carroçel PSD/PS? Não foi, principalmente, com estes dois blocos que se chegou a um nível de descredibilização total? Está aí a história a falar.Mas a realidade vai mais fundo, camarada; O que está errado é o sistema político em si; Está´podre e nunca conseguirá sair da podridão enquanto subsistir, venham os políticos mais sérios que vierem, "adaptam-se" logo ( ou são adaptados ) ao status-quo vigente.Só vejo uma maneira de estes "estabelecidos" tremerem: Quando a populaça que não vota fôr o partido mais votado. Aí, esses senhores vão tremer, podes crer, porque começarão a ver o chão podre e nausabundo que os sustenta a fugir-lhes debaixo dos pés.
(4)“
A teoria da conspiração é uma tentação a que procuro resistir. ...A manipulação, meticulosa e descarada, a propaganda sofisticadamente dissimulada, a lei elaborada à medida da vontade e capricho de quem tem o poder de a encomendar... a feitura e destribuição da opinião para as massas, que não têm tempo, nem cabeça, nem vontade, para a elaborar... perante tal maquiavelismo, sinto-me tão impotente, que procuro resistir a acreditar nessa realidade. Recusar a hipótese, de que o destino da humanidade, está na mão de quem tem o dinheiro suficiente, para depôr e eleger políticos convenientes, através de campanhas bem orquestradas e que, para além de tudo e mal de todos, essas pessoas são loucas. Peço, a mim mesmo um esforço, para acreditar, que a insanidade de um Hitler e de uma boa parte de um povo (que foi o Alemão, mas podia ter sido quaquer outro), foi uma excepção que serviu de lição e que cada um de nós está atento, cioso da importância do seu papel, nos pequenos gestos de todos os dias
(5) Quanto ao conteudo só vos posso dizer o seguinte: ainda estamos longe de bater no fundo... forças poderosas trabalham para descermos como país ainda mais...Tenham esperança e portugal será transformado num imenso "buraco negro"...
(6)
“Eu também partilho desse teu receio, no entanto temos que nos concentrar na realidade que é a sociedade. A maioria das pessoas têm a sua vida profissional (e há muitos até que nem a conseguem ter) que já lhes rouba tempo suficiente e apenas esperam que os políticos desempenhem o melhor possível as funções que lhes cabem (e que eventualmente terão feito por merecer). Uma campanha como aquela que se nos deparou recentemente é, no mínimo, algo a não repetir. É o suficiente para afastar e enojar MUITA gente. Também acho que é demasiado fácil criticar-se o comum português pela crítica estéril. A vida é muito difícil para muito mais pessoas do que as que nos conseguimos lembrar. Lembro que, no fim de contas, quem lá está tem de facto aquele emprego. Sempre vi um cargo político como uma posição de sacríficio pelo País e seus cidadãos, mas mais facilmente vemos o País a ser sacrificado.
Concluindo, imagino o resultado e penso que não seria assim tão dramático quanto isso. Uma coisa é certa, acredito que iríamos ver maior interesse em campanhas construtivas com debates de ideias reais”
(7) "Houve aí um tempo esquisito (que durou pouco tempo, é certo) em que me armei em "vencida da vida" e já não queria mais votar; E era um direito meu, como o é deste confrade. Acredito que votar, mais do que um dever, é um direito. O que significa que não querer votar também é um direito conquistado, ou a outra face do mesmo se quisermos. Optar, decidir, escolher... São tudo sinónimos de liberdade."
Fim de citações.

Chega? São todos de pessoas diferentes. É só para acabar com a hipocrisia de haver pessoas que só dizem e discutem as opiniões oficialmente permitidas, ignorando as outras (como ignoram os cidadãos abstencionistas, apesar de estes serem mais maioria do que qualquer partido, como ignoram todas as opiniões dignas), mesmo sabendo que existem e são aos milhares; muitos milhares.