2005/06/13

Acerca do "arrastão" em Carcavelos.

Comentário de "Congeminações":
"Meu caro amigo, que este acontecimento de alguma forma traduz a expressão da revolta das políticas sociais, estou de acordo apenas em 50% com a tua opinião.
Mas o acontecimento, em si, revela, quanto a mim, que a acção foi devidamente orquestrada e não será dificil descortinar tendo em vista a ameaça que foi feita por aquelas pessoas que vão ser desalojadas na Amadora sem garantia de solução do seu problema habitacional que, como ouvimos, não vai mesmo ser resolvida.
Eu não acredito que os trocos que normalmente as pessoas levam para a praia tenham resolvido o problema dos autores do assalto colectivo.
Mas no entanto tenho a convicção que este acto vai dar início a um sentimento rácico que se pode tornar perigoso, disso não tenho qualquer dúvida. Vim do interior hoje, ouvi a notícia na noite da sexta-feira e, para mim, foi revelador o sentimento que a maioria das pessoas em repúdio por esta acção. E se a mesma se voltar a repetir podes crer meu amigo que vamos assistir a retaliações que podem ser perigosas."
Amigo Raul,
não é apenas este episódio que me levanta dúvidas acerca do "envolvimento" e premeditação de gente apostada em acentuar o pânico e a desorientação das pessoas, em acicatar racismo e xenofobia, que usam esta gente, estes marginaizecos (organizadamente o que não é bem o estilo dos próprios), porque os "têm na mão" e porque eles não percebem o objectivo deste tipo de "missões".
Como sabe, já noutras alturas escrevi sobre as características de máfias que usam esta gente para os mais perversos fins, incluindo o tráfico de droga (tal como acontece no Brasil).
Há uma série de circunstâncias que fundamentam as minhas suspeitas, sendo uma delas a própria actuação das forças policiais que, a meu ver, estão de conluiu... Já nos incidentes ocorridos no Porto, aquando da vitória do Benfica, isso também foi evidente.
Há, também, outros factos que têm vindo a ocorrer, coerentes com esta minha suspeita. Se eu tiver razão (como tudo indica), estes actos inserem-se num conjunto de actuações planeadas pelo que há de mais reaccionário e criminoso, na nossa sociedade. Sendo que a condução do Processo Casa Pia se insere nesse conjunto de actos, com o mesmo objectivo que, para mim, é bem evidente. O que nos leva às cumplicidades e garantias de impunidade, asseguradas por pessoas que ocupam altos cargos, incluindo o PGR (e os que mantêm o PGR).
Por tudo isso, pode "esperar sentado" pelo resultado do inquérito, porque esse está pré-determinado...
O facto mais grave, aqui, como em muitos outros exemplos semelhantes, é a ausência de responsabilização, de exigência de eficiência, que premite tudo isto e fornece as "desculpas" aos seus mentores... Todos estes cargos (donde é possível resolver estes problemas e acabar com esta bandalheira) estão ocupados por gente envolvida e conivente com este tipo de coisas...
Porque é que vocês acham que eu insisto na exigência de demissão do PGR? Porque se nem isso se faz, a mensagem que passa, para as pessoas e para os mafiosos, é que tudo lhes continua a ser permitido, tolerado e assegurada cumplicidade, ao mais alto nível.
Quando eu digo que este país está nas mãos de criminosos também falo a sério; não estou a usar uma "figura de retórica". Tudo isto (e muitos outros incidentes sem solução) demonstram o quanto o "assunto" é sério...
Claro que, a meu ver, isto seria um bom "tema" de "Editorial". Mas eu não me atrevo a sugerir que alguém assuma, comigo, tal interpretação dos factos, por mais evidente que ela seja...

2005/06/12

"Arrastão" na praia de Carcavelos

Acerca do que se passou, na praia de CArcavelos, o amigo Semog, do "limite" escreveu isto:

"Pronto senhores doutores da política; Aqui está o aparecimento do fruto da árvore da incompetência que Vossas Excelências andaram a plantar. Quando um país não arranja soluções minimamente dignas de vida para os seus cidadãos, onde o desemprego sobe em flecha e o custo de vida é o que se sabe, onde a educação erra por caminhos tortuosos sem chão à vista, onde o fosso entre ricos e pobres se acentua cada vez mais, estavam à espera de quê? Milagres? A Nossa Senhora de Fátima já não quer saber disto para nada desde 1917, ouviram? Vossas Excelências entretiveram-se estes anos todos a discutir(?!) o acessório e borrifaram-se para o essencial. Continuem a brincar ao "passa agora o poder para mim" e um dia destes ainda têm uma surpresa maior.
O que me irrita solenemente é a continuação das políticas de avestruz que V. Excelências persistem em continuar. Desde ontem tenho assistido enraivecido ao defilar constante de doutores bens falantes por tudo o que é comunicação social, a opinar sobre o assunto, debitando asneiras atrás de asneiras e mostrando um desconhecimento absoluto da VERDADEIRA realidade social que este país vive. É a prova mais que provada do diametral distanciamento - logo desconhecimento - dessas duas realidades: A dos ricos e a dos pobres. É por aí senhores doutores, que se deve começar a apagar o fogo, e não colocando não tarda muito, um polícia para a guarda de cada cidadão. "
Vou voltar ao assunto, para acrescentar umas coisistas, mas, para já, fica a transcrição.

2005/06/09

Ecologia. O que é que andamos cá a fazer!

O amigo Augusto M, publicou, em Klepsidra, um artigo sobre questões ecológicas e escreveu, aqui, em resposta ao meu comentário um texto a que julgo ser importante responder:
“Confesso ter ficado surpreendido com conteúdo do seu comentário.
Quando diz,”eu quero dizer aqui, bem alto: nada tenho a ver com isso, como acontece com a maioria das pessoas, porque a maioria das pessoas são gente digna. Por isso acho que todos estes problemas se resolveriam com democracia a sério”, talvez possa interpretar que me encontro no grupo oposto, os não dignos, por não virar as costas aos problemas e alijando-os para os outros, a Democracia a Sério. Mas a tal Democracia a Sério, onde costuma confinar a solução dos problemas, também como eu sabe, é uma utopia, pois ela e a Liberdade acabam sempre, no limiar do poder. Só temos a Democracia e a Liberdade que nos deixam ter. Não estou resignado com isso, mas reconheço, que não é com palavras que a situação muda, a história ensina-nos que sempre que se procurou alterar o estatuto, apareceu a revolução.
Admitir que a Natureza se encarrega de encontrar as pessoas certas, na hora certa, para cada cargo e função, é admitir que ela também se engana, quando cria os monstros que todos conhecemos. È um vaticínio empírico, em que não acredito. A Natureza é demasiado sublime para ser assim banalizada.
Conhecendo, pelos seus textos, o seu espírito “guerreiro” que muito admiro, custa-me a acreditar que uma causa como esta, a mais importante, não faça o seu género de luta. Mesmo assim continuo a acreditar que dava uma fantástica ecologista.
O meu texto, muito modesto, reconheço, não pretendia mais do que chamar à atenção para um ponto fundamental. O desastre ecológico deve-se ao egoísmo das pessoas, mas mesmo de todas, sejam elas dignas ou não. Basta reflectir um pouco, para se aperceber onde está a sua quota parte.
Um grande abraço. Augusto”
Resposta:
Começando pelo fim! A minha quota parte, para o desastre ecológico é ZERO! Porque uma coisa é nós termos que nos subjugar a viver a vida que nos deixem viver, como nos impõem que a vivamos, outra coisa é termos alguma coisa a ver com os problemas e pudermos participar nas respectivas soluções.
Sempre fui mais de solucionar problemas do de lamentá-los. Cheguei a responder, malcriadamente, reconheço, a um chefe, que me dizia ter eu cometido um qualquer engano: “Pois deixe ver, que eu corrijo! Os erros são para isso mesmo, para serem corrigidos, e eu sei corrigir os meus erros!”. Escusado será dizer que não me foi apresentado erro nenhum, pelo que fiquei sem saber, até hoje, se era verdade ou um pretexto de vexame, tão comum naquele meu “relacionamento”.
Mas eu sei que cometo erros! Como toda a gente e também como a própria humanidade, no seu percurso!
Só que, para mim, a questão está mesmo aí: na correcção dos erros, no saber arrepiar caminho; também nas questões da ecologia. Actualmente não é possível “arrepiar caminho”, por tudo ser “Utopia”! Não é utopia nenhuma! É um objectivo que está bem aí, ao alcance da mão; é só fazer… Os principais impedimentos provêm da actual estrutura do poder e da ausência de democracia que, também ela, não é utopia; bem pelo contrário: é uma necessidade premente, o único sistema social que nos pode salvar e permitir resolver os problemas. Como também não é utopia a liberdade, entendida como exercício (e reconhecimento) da dignidade de cada um, como elemento da sociedade… A relação “causa-efeito” entre esta estrutura do poder e estas questões, o próprio amigo Augusto identifica quando reconhece, e muito bem, que: “só temos a democracia e a liberdade que nos deixam ter”. Sendo esse o cerne da questão é isso também que tem de ser alterado, para passarmos a ter “liberdade” de participar na definição das regras sociais e outras, para passarmos a participar na “resolução dos problemas”.
Aliás ofereço um prémio a quem alguma vez me encontrar a lutar por quimeras, a perder tempo com utopias, a clamar por objectivos impossíveis. Até porque, quando isso acontecesse, se todos estes objectivos se transformassem em “utopia”, subia ao cimo do prédio mais alto que encontrasse e deixava-me cair para a rua. Mas passa pela cabeça de alguém que me acomodaria a partilhar esse tipo de culpas e a continuar a viver dentro dessa prisão?
E aqui chegamos ao fulcro desta questão que é, exactamente, o que cada um sabe e “percebe” acerca das questões que nos rodeiam; aquilo em que cada um acredita; a forma como teorizou e interiorizou os ensinamentos (ou desensinamentos) da vida, questão que se prende com aquela outra de “a natureza, de tão “sublime” que é, “cria”, em cada tempo e lugar, as pessoas certas”… Isso é um facto indesmentível! Agora se essas pessoas certas ocupam os lugares certos, ou não, já é outra questão, de organização social, da competência e capacidade da humanidade de funcionar, ou não, como tal, como humanidade; uma questão a resolver pela DEMOCRACIA, por mais que essa ideia soe estranha aos ouvidos de muita gente.
A natureza cria as pessoas certas, mas também cria as pessoas erradas. Até o amigo Augusto publicou, há bem pouco tempo, um artigo sobre a “origem do mal”, entendido como conceito absolutamente relativo, reconhecendo que existem comportamentos que a sociedade tipifica como “mal”. E que, para corrigir esses comportamentos, se foram criando leis e regras e punições para quem as viole…
Reconheço que estes conceitos, de que falo, são estranhos à maioria das pessoas, porque nunca fizeram parte dos léxicos culturais, ao contrário daquela atribuição das culpas da situação desastrosa, que o mundo vive, à generalidade das pessoas, que eu considero tão útil para manter as coisas como estão, tão útil para baralhar e ilibar os únicos responsáveis... Eles sabem disso e aproveitam. Tenho-o constatado e posso garanti-lo!
Reconheço que, por isso, é mais difícil as pessoas me compreenderem, mas também, se todos actuássemos como devíamos, não estaríamos aqui a ter esta conversa (que já estaria ultrapassada); estaríamos, certamente, a falar doutros assuntos. Até por isso, porque temos que dar passos em frente, há que não desistir, que persistir no caminho certo e na divulgação das "teorias e regras", que nos podem salvar, a todos, mas que apenas são possíveis com a participação e mobilização da maioria, liberta de "complexos de culpa" existencialistas e paralisantes, como os que nos são inculcados todos os dias; ou de "complexos de culpa" dos "outros", que impedem a cooperação, a associação de esforços, pelos objectivos que interessam, por objectivos atingíveis… mas só com DEMOCRACIA.