2005/09/05

Primatas!

Há dias ouvi, uma notícia da rádio, onde se dizia que há uma enorme semelhança, genética, entre os humanos e os chimpanzés.

Dizia-se, na notícia, que as dissemelhança genética entre estas duas espécies é 6o vezes menor do que a diferença entre os homens e os ratos???
Sessenta vezes... menor???

Já não é a primeira vez que ouço este tipo de disparates, de absurdos.
Alguém me pode explicar como é isso de "60 vezes menor"?

60 vezes é, por natureza, um factor. Factor, quer dizer que multiplica. Ora, para que um factor torne alguma coisa menor, ele tem de ser inferior a um. Por exemplo uma taxa, ou uma percentagem. Se o factor é um número inteiro, não pode, nunca, resultar em algo menor!
Mesmo que se diga ao contrário; isto é: que as semelhanças entre os dois primatas são 60 vezes maiores do que entre o homem e os ratos, a coisa continua muito nebulosa...
Se, por exemplo, houver uma semelhança genética igual a 3% entre homens e ratos, isso significaria que as semelhanças entre estes primatas seria de 180%???. Ou seja: mesmo fazendo o esforço de considerar que os autores da notícia, coitadinhos, não sabem pensar nem dizer o que querem dizer e que o "60 vezes", será para funcionar ao contrário, só se pode aplicar se as semelhanças genéticas entre homens e ratos forem iguais ou inferiores a 1,6%...
Não faz qualquer sentido e, em relação à questão concreta, fiquei a saber o mesmo, porque esta forma de falar é ininteligível, impossível de encaixar num raciocínio coerente...
Mas, como digo, não é a primeira vez que ouço um disparates destes; disparates que sempre me arrepiam.
Talvez isso se deva ao facto de a minha dissemelhança genética, com o autor da notícia, ser superior à que existe entre homens e chimpanzés!?

Livros e Leituras!

Mudando de assunto!
Vai tempo em que “devorava” todos os livros que me caíam nas mãos. Não foi bem “todos” os livros. Lembro-me de dois que não consegui ler, nessa época. Um por ser demasiado “pesado”, maçudo, o conteúdo não me despertou interesse suficiente; e o outro por ser demasiado fútil e sem conteúdo. Dir-se-ia, por estes exemplos, que não gosto de extremos…
Nessa época, queixava-me eu de falta de tempo para ler e de falta de livros, porque não tinha dinheiro para comprá-los. Depois, atravessei uma fase em que era difícil encontrar um livro que me agradasse.
Em boa verdade essa fase ainda dura, mas evoluiu!
Os livros tiveram um enorme papel na minha formação e, por isso me arrepia quando encontro gente que faz alarde da sua ignorância e até achincalham quem goste de livros, como forma de retaliação, pela própria cretinice. Conheço alguns casos...
Por isso eu recomendo, a pais e avós, que ofereçam livros às crianças, desde tenra idade, mesmo que seja para brincar e estragar. Quando os pais são do estilo que acabo de referir, a recomendação, para os avós e outros parentes, é a dobrar, porque é crime reproduzir um tão mesquinho nível de tacanhez...
Nessa minha fase, que estava a descrever, “zanguei-me” com muitos escritores portugueses e alguns estrangeiros, porque todos diziam o mesmo e da mesma maneira. Era como se nos remetessem para um raciocínio em círculos, num labirinto, de que não há saída.
Então passei a preferir os ensaios. Mas, como vocês sabem, até nessa género a amplitude dos temas, e das abordagens, se esgota … antes de se encontrar a saída. Por essa altura dava eu preferência, também, às obras baseadas em factos reais…
Houve um tempo em que me tomei de curiosidade pelo Memorial, que li, com agrado, embora não seja propriamente fã de estilos em que se misturam e baralham épocas e factos históricos, sacrificando a objectividade do conhecimento do passado aos caprichos romanescos. Mas agradou-me a obra.
No entanto, caí na asneira de comprar outros livros do mesmo autor, que não consegui (ainda?) ler. Somando um ou outro desengano semelhante, com outros autores, o resultado foi deixar de comprar autores portugueses, até porque as alternativas são piores e não melhores. Muita conversa, na maioria fútil ou preconceituosa, mas sem conteúdo intelectualmente motivador, nobre e evoluído!
Nem sei porque é que estou aqui a falar disto… Cada um que interprete como quiser.
O facto é que, em cada reedição da “feira do Livro” conseguia sempre gastar muito dinheiro, frequentemente mais do tencionava. Via de regra, “vingava-me” nos saldos. E consegui, às vezes com algum descrédito, comprar livros bem cuja leitura se revelou compensadora. Se calhar perdi uma ou outra coisas mais interessante, por causa do trauma que me fez “zangar” com os autores portugueses…
Este ano foi excepção! Consegui ir, várias vezes, à feira do livro, sem comprar algo digno de registo, ou de atenção específica. As Editoras acham que têm o direito de exercer a sua quota-parte na censura das ideias existentes e, com isso, restringem o leque de escolhas de tal maneira que a opção é não comprar e não ler…
Por causa deste meu enfado, decidi dar atenção a livros que comprara, noutros tempos e que estavam guardados para melhor oportunidade. É que, às vezes, tenho tempos de espera propícios a alimentar o vício da leitura e perco-me, impaciento-me, desespero, se não tenho algo à mão para ler. Se houver que ler, nem dou pelas demoras.
Verifiquei um facto bem curioso: peguei num romance de Aquilino Ribeiro, li duas páginas e pareceu-me interessante, quiçá divertido, fazer uma experiência: pedir a um jovem (de mais de vinte anos) que lesse dois parágrafos e perguntei-lhe o que percebeu: Nada!
A forma de falar (de escrever) reflectida nas obras de Aquilino (que contém termos que nem sequer constam dos dicionários comuns), embora repleta de termos usuais, naquela época, é imperceptível para os jovens de hoje. Alguns termos até têm conotação com significados completamente diferentes e opostos. Estamos a falar de obras de há cerca de 4 ou 5 décadas… Diverti-me com a experiência, mas não acho graça à dificuldade de comunicação, resultante, entre gerações tão próximas…
Camilo nunca fez parte dos meus autores preferidos. Não sei explicar porquê. No entanto tomei-me de curiosidade pelas “Memórias do Cárcere”. Gostei de ler, exactamente porque se trata da descrição de factos reais. E, no entanto, apesar de ser um autor de há mais de um século, não me pareceu de tão difícil compreensão como Aquilino. Hei-de repetir a experiência.
Há dias alguém comentava acerca de dificuldade em publicar, neste país. Talvez seja bom que as Editoras comecem a perceber que a diversidade de escolha não existe e que isso lhe prejudica o negócio.
E pronto. Antes de começar a escrever tinha 3 ou 4 temas, bem pesados, para abordar, mas decidi-me por uma coisa leve. Amanhã será pior. Fica a ameaça…

2005/09/01

Manifesto anti Soares!

Soares, o Candidato das máfias!
O facto de uma “democracia” estar dependente de alguma ou algumas personalidades, é um sinal de alarme, para a própria democracia. As democracias que se prezam não dependem de personalidades, mas do rigor dos princípios e do rigor do cumprimento das decisões democráticas, do respeito pela vontade e sentir do povo.
O poder (ou o prestígio, o que dá no mesmo), absoluto e exclusivo, de alguma ou algumas personalidades, representa a antítese da democracia.
Além disso, quem decide reimplantar a monarquia, através de Soares, só podem ser pessoas com ideias tão velhas e retrógradas como o é o próprio Soares.
Ideias tão velhas que se sentem ameaçadas com o aumento de exigência dos cidadãos e que, por essa via (absurda) do “respeito” pelo “prestígio” de Soares, pretendem obter uma moratória, desviando a atenção das pessoas do que é essencial. Certamente que, para que a estratégia resulte, contam também com o natural escloresamento do candidato, devido à sua idade.
Quando foi eleito o Papa, muita gente questionou se não seria prejudicial à própria igreja, o facto de ele ter 79 anos.
Então e um candidato a Presidente pode ter 81 anos? Isto é mesmo uma república das bananas, sem futuro e sem esperança. Que tipo de esperança, de segurança e de confiança (nomeadamente quanto aos respectivos compromissos) suscita uma pessoa que se candidata com 81 anos? Que continuidade, no empenhamento, pode prometer para as mudanças necessárias?
Então porquê a candidatura de Soares? A quem serve?
Em primeiro lugar ela evidencia que o candidato está esclerosado, a ponto de não perceber o quanto a sua atitude, por si só, é perniciosa para a democracia. Se a democracia é a vontade da maioria, porque é que um qualquer democrata deixa de poder ser útil, enquanto cidadão?
Vejamos as coisas como elas são! Cada vez é mais difícil enganar os cidadãos, engonhar, continuar, indefinidamente, a prática dos mesmos crimes, (que têm destruído a nossa sociedade, mas de cujos, as máfias que nos governam não querem abdicar). Por isso, para ganharem algum tempo (o tempo deles está a esgotar-se), recorrem ao seu velho amigo e fiel aliado: Soares.
E ao seu (inexistente) prestígio. Até porque se, com isso, conseguirem que ganhe Cavaco, tanto melhor. Para eles tanto faz.
Acho que Mário Soares é a bóia de salvação dos piores mafiosos que governam o nosso país, chamado em desespero, agora que se está a esgotar o prazo da ajuda que receberam com a eleição de Sócrates. Esta “casta” que domina e controla o partido socialista é uma fonte infindável de “recursos” para todos os mafiosos…
Enquanto isso, os nossos problemas agravam-se, todos os dias, e a destruição do país continua, às mãos desta escória que pratica, todos os dias sobre os cidadãos, os piores tipos de crimes, enquanto que os políticos, seus amigos, assistem, passivamente, regaladamente, fornecendo-lhes o apoio e cobertura de que necessitam e repetindo discursos demagógicos e absurdos para nos enganar, como sempre fizeram, como Soares sempre fez.
Quem nos acode?
Exigir a valoração da abstenção é a melhor e mais eficaz via para conseguirmos desmascarar estes falsos prestígios, que se reduzem ao apoio de pouco mais de vinte por cento a população.
A partir daí, do desmascarar destas vigarices, talvez consigamos que o querer e o sentir dos cidadãos e o país sejam tidos em conta, nestas tramóias.