2005/09/08

Moralizar os vencimentos dos gestores!

O Governo “à deriva”!
A notícia que merece destaque, no dia de hoje é a “promessa” do governo de aprovar “Novas Regras para as remunerações dos gestores públicos”.
Estas novas regras, baseiam-se, dizem, em três princípios:
(1) Prevenir os abusos nas auto-atribuições de vencimentos, devendo “as remunerações ser consentâneas com as praticadas no respectivo sector”;
(2) Moralização, atribuindo os prémios de gestão conforme os objectivos atingidos, e proibindo que recebam as pensões antes de se reformarem;
(3) Transparência, devendo ser descriminados, publicamente, em cada ano, as verbas destinadas a vencimentos e demais regalias dos gestores, nos relatórios e contas.
Até aqui tudo parece bem! Os objectivos merecem o meu total apoio, pecando, apenas por insuficientes...
PARECE (bem)! Porque, em boa verdade, a legislação a aprovar mantém as actuais mordomias, ilegitimamente apropriadas (a lei não tem efeitos retroactivos), o que implica que o país vai ter que continuar a esvair-se com encargos para sustentar a gula criminosa, as benesses escandalosas e injustificadas, apropriadas pelos que agora as têm.
Por isso se prevê que esta lei só venha a fazer efeito em 2007.
Portanto, podemos concluir que esta azáfama legislativa não passa dum projecto de intenções, falacioso, demagógico, propaganda enganosa pré-eleitoral, com que o governo pretende, mais uma vez, enganar os eleitores, de modo a limitar os estragos eleitorais provocados pela sua política e medidas de governação desastrosas.
Isto é apenas um, baixo e reles, golpe publicitário, a cujo se deve dar o mesmo crédito que o governo deu às suas promessas eleitorais de não aumentar os impostos e de actuar no desemprego, criando 150 mil postos de trabalho.
É claro que, para credibilizar o embuste, logo vieram os comentadores económicos discordar, com o velho e falacioso argumento de que isso afasta os melhores, destas funções.
Os melhores? Como os que se têm cumulado de benesses, à custa dos cidadãos, ao mesmo tempo que destroem o país e arrasam a nossa economia?
Os melhores? Mas essa gente é toda criminosa, incapaz, incompetente e mafiosa, a ponto de nos terem conduzido para a situação degradante em que nos encontramos!
Os melhores? Gangsters, talvez! Porque gestores, governantes, responsáveis, nem idóneos e íntegros, bem intencionados, eles conseguem ser, quanto mais “os melhores”.
Dizem, estes comentadores, que estes técnicos devem ser remunerados segundo o seu valor…
Estou inteiramente de acordo, desde que esse “seu valor” seja determinado em função do impacto económico, para o país, do bom exercício das respectivas funções; isto é conforme a evolução da situação económica. E ainda que seja ratificado pelos cidadãos, após discussão livre e aberta e consulta directa à população.
Aliás, se houvesse, de facto, um objectivo de moralização, consequente, não se compreenderia porque é que o governo faz uma lei especial, para os gestores; porque é que estes não são enquadrados nas medidas gerais, aplicáveis a todos os trabalhadores. Porquê um regime especial para estes?
É que, no que se refere aos trabalhadores, as medidas são aplicadas imediatamente, aos que agora estão no activo, sem preocupações com os “direitos adquiridos” pelos que agora são trabalhadores no activo; o que implicaria que as medidas só seriam aplicáveis às futuras gerações de trabalhadores, ou seja: daqui por 30 ou 40 anos…
Os aumentos de impostos também entram em vigor de imediato, agravando as condições de vida, de todos, e de sobrevivência, de muitos.
Além disso, não vejo grandes alterações nas regras de decisão. Os vencimentos dos gestores, que me conste, sempre foram ratificados pelas respectivas assembleias gerais, portanto dependentes de acordo do respectivo ministro, que nomeia quem as aprova...
Mas estas medidas têm um outro perigo (para além de consagrarem os privilégios de quem os não merece e de serem publicidade pré-eleitoral enganosa).
É que, sendo elas decididas por um governo tão desacreditado, por um governo que pode cair, em qualquer momento, serão, certamente, postas de lado, por outro qualquer futuro governo, no âmbito dos jogos de apoios e negociatas pré-eleitorais, sendo incluídas nas decisões desastrosas que desgraçaram o governo. Sempre assim foi com os governos socialistas.
O que pretendo dizer é que os governos têm de escolher uma via de governação, coerente e digna, eficiente, que resolva os problemas da população. Não podem anunciar medidas desta (que nem sequer tencionam aplicar) ao mesmo tempo que tomam todo o tipo de medidas criminosas e infames, ao mesmo tempo que protegem e garantem impunidade a toda a espécie de crimes. Não serão medidas destas que irão salvar o governo. Por isso elas destinam-se a “cair juntamente com o governo”, “resolvendo”, pelo menos por agora, os problemas de consciência dos gangsters, que lhes advém da enorme quantidade de pessoas que se fazem ouvir contra estes abusos.
Por isso tenho dito e repito:
É imprescindível valorar a abstenção, para cortar o passo a estas tramóias, para que os governantes e deputados tenham de prestar contas dos seus actos e tenham que ter em conta a opinião dos cidadãos.
Quanto aos abusos materializados nos vencimentos e mordomias apropriados pelos gestores públicos, nem a lei deve ser esta, nem deve ser decidida assim.
Já o disse e repito, deve ser criada uma lei que limite o valor dos vencimentos e pensões de reforma máximos a um valor indexado aos respectivos valores mínimos e médios, aplicável a toda a gente sem excepção! Uma lei assim, para ser credível, deve ser referendada, aprovada pelos cidadãos, para não ficar dependente dos caprichos e compadrios de cada governo, nem das necessidades de propaganda demagógica em épocas específicas.
Não se preocupem com a motivação das pessoas de valor. Porque as pessoas que têm, realmente, valor, não são motiváveis pelo valor absurdo e escandaloso dos vencimentos, porque sabem que isso prejudica os propósitos e objectivos determinados pelos superiores interesses do país, os que motivam as pessoas dignas e de bem. Só os mafiosos se “motivam” com vencimentos escandalosos, de que se apropriam a qualquer custo, à nossa custa e do estado degradante da economia do país, que destroem com a sua incompetência e prepotência, com a sua tacanhez
Esta gente faz da governação do país um jogo, uma palhaçada de mau gosto, brincam com coisas sérias!

2005/09/06

Campanha de Solidariedade!

Proponho que se faça uma Campanha de Solidariedade para com as autarquias e entidades que não deixaram arder as respectivas matas!
A Campanha destina-se a mostrar o nosso reconhecimento a estas entidades, que assim confirmam o que aqui temos vindo a dizer, acerca das responsabilidades, irrefutáveis, das entidades coordenadoras.
Será que, nestes locais, existem meios muito diferentes, (muito mais meios), gente muito mais bem preparada, diferente da que existe no resto do país?
Ou será que se adoptaram os procedimentos, a prevenção, a gestão dos meios e a disciplina adequados?
Quem souber que informe!
Agora que o governo promete medidas, para o próximo ano, sem ter feito o que quer que seja, do que podia e devia, durante este ano, que demonstre que a lição foi aprendida (recordo que o governo iniciou funções em Fevereiro), justifica-se que reconheçamos quem merece reconhecimento, pela competência e idoneidade demonstrada.
No mínimo, todas essas entidades terão aqui um espaço de publicidade gratuíto, basta que nos sejam referidas...

Vergonhoso!

Funcionamento do Sistema Nacional de Saúde…
Um relato, (mais um, são aos milhões) para ilustrar o que digo quando falo de mafiosos à solta, de criminalidade institucionalizada, que goza de total impunidade e cumplicidade, dos políticos, e outros responsáveis; de todos os responsáveis.
Este relato está, em comentário, no post anterior, e foi trazido por BM, a quem se agradece.
“Não tomei nota do blog. Se couber:
SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE UMA REFINADA VERGONHA - dos médicos.
Anonymous said...
Denunciem o Sistema de Saúde em Portugal!
Permitam-me que lhes transcreva, de forma sintética, um artigo que li no Boletim Informativo do Clube de Campismo do Concelho de Almada, datado de Junho de 2005, da autoria de José Chitô.
Leiam, porque vale mesmo a pena!
Este senhor acordou um dia com um problema no olho direito. Pareceu-lhe grave.
Deslocou-se ao Hospital Garcia de Orta, em Almada (16 Abril 2005).
Diagnóstico: deslocamento de retina. Só poderá recuperar com operação.
Segundo a opinião do oftalmologista, a situação é grave e urgente.
Mas a lista de espera é muito grande: talvez 6 meses a um ano.
O nosso amigo fica abismado, pois uma situação destas requer internamento imediato.
Qual a solução que veio da boca do médico?
A existência de um bom especialista, em Setúbal, que ele próprio conhecia.
Lá vai o homem à consulta do referido especialista que lhe confirma diagnóstico: tem que ser operado!
- “Eu levo 3.000 euros por operar, mais 3.000 para a clínica e assistentes."
TOTAL: 6.000 euros (1.200 contos).
Por esta consulta desembolsou 60 euros.
Por achar este orçamento brutal, resolve marcar consulta para uma clínica emBadajoz.
Devido à urgência do caso, marcam-lha para o dia seguinte.
É atendido meia hora depois de ter chegado. Confirmam-lhe o diagnóstico.O especialista diz não haver tempo a perder, não tem datas livres, por issovai ter de adiar operações menos urgentes para poder encaixar a dele.
Volta passado 10 minutos, com a data da operação: AMANHÃ ás 17 horas.São 1.200 euros (240 contos). Custo da consulta: 35 euros.
A operação foi um êxito! Nos 30 dias seguintes e sempre que se deslocou à Clínica, não pagou mais nada.
COMENTÁRIOS?
Este país não tem salvação possível!
E não sou daqueles que gostariam de ser espanhóis!
Reenviem para quantos amigos e conhecidos tenham, para que sejamos cidadãos informados e denunciantes deste SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE, completamente PODRE!”
Resta acrescentar mais uma história:
Um jovem, com menos de 20 anos, faz uma rotura de ligamentos, num joelho, a praticar judo (que tem seguro obrigatório, assegurado pela Federação). Vai ao Hospital de Santa Maria, de imediato. Sai de lá com um diagnóstico do tipo “Não sei nem quero saber e tenho raiva a quem sabe!”, que é como quem diz: “Talvez seja rotura de ligamentos, Só se pode saber fazendo um exame específico, que o Hospital não faz e que custa uma pequena fortuna! Sucede que a família do jovem atravessa graves dificuldades financeiras, de tal modo que nem sequer pode encarar a hipótese de consultar o especialista recomendado, porque o simples custo da primeira consulta é incomportável. E assim andou, o jovem, durante dois anos, estropiado e comprometendo a sua integridade física para o resto da vida, de hospital, de recomendação em recomendação… Até ao Garcia de Orta o mandaram, indicado para um profissional que não se encontrava ao serviço, nem foi possível localizar. Isto a pagar deslocações e outros encargos, todos insuportáveis para a grave situação económica familiar.
Ao fim de dois anos acabou por ser operado, na sequência de novo episódio que lhe agravou a situação.
Começou por pagar uma consulta, caríssima, a um dos melhores especialista, que o encaminhou para uma unidade hospitalar especializada, onde se propunha fazer-lhe a operação (dum joelho muito danificado, não apenas pela lesão, mas pelo tempo decorrido sem tratamento); mas recebendo mais de mil contos. Até que, perante o desespero de familiares, percebendo que não lhes seria possível pagar esse dinheiro, acabou por a operação ser feita a expensas do seguro, custando, ao seguro, pouco mais de cem contos…
Também este jovem teve de desenbolsar 90 euros, por uma consulta dum outro especialista que lhe indicaram, posteriormente, porque continuava a ter queixas, apenas para ele olhar para o joelho e lhe dizer que não havia nada a fazer...
E não há um pingo de vergonha, nem uma entidade fiscalizadora que ponha cobro a estas patifarias, que atentam contra a integridade física da nossa população.
Assim, de repente, sou capaz de me lembrar de mais meia dúzia de casos concretos…