2005/10/06

O Despudor dos Políticos!

O compadrio e o tráfico de influências, por um lado; os arbítrios e as prepotências, por outro, são tão normais e frequentes entre os políticos que até já se usam como "argumentos" de campanha eleitoral.
Em Lisboa, Manuel Maria Carrilho, candidato do PS à presidência da Câmara, "apela" ao "voto útil", argumentando que o facto de o governo e a presidência da Câmara serem da "mesma cor"; que é como quem diz: do mesmo partido, facilita a resolução dos problemas da cidade...
No "meu tempo" isto chamava-se favorecimento, compadrio e tráfico de influências... crimes previstos e punidos por lei. É o cúmulo da pouca vergonha!
No Porto, Rui Rio, candidato do PSD à Presidência da Câmara, diz que a edilidade não pode, (não quer, diria eu) consertar todos os telhados das casas da autarquia, que metem água. Por isso não vê mal nenhum em arranjar o telhado duma aniversariante de cem anos, como "argumento emocional" para "comprar votos". Na minha terra isto chama-se critérios arbitrários, usados para influenciar o voto, como meio de compra de votos... com o dinheiro da Câmara.
Por outro lado, assume que, despejou, sem realojamento, casas onde se praticavam actividades ilegais, de tráfico de droga. Eu pensava que as actividades ilegais de tráfico de droga eram puníveis criminalmente, dando direito a cadeia. Afinal, os traficantes podem "ir em paz", vender droga para outro lado qualquer, desde que a Câmara possa usar o facto como argumento para praticar despejos violentos. No "meu tempo" isto só podia ser entendido de duas formas: cumplicidade com o tráfico de droga e com a respectiva protecção policial; ou argumento falacioso e falso para justificar o injustificável. Agora estes critérios aberrantes são "argumento" de campanha eleitoral.
Quando os que se propõem a eleições se acham no direito de cometer todos estes atropelos, assumindo-os abertamente, como argumento eleitoral, e as restantes instituições e responsáveis "acham" normal, só podemos concluir que este país está perdido e continuará a piorar, porque não é possível recuperar a credibilidade das instituições, assim. Consequentemente também não será possível recuperar a economia.
Mas o Presidente finge estar preocupado com a corrupção???

2005/10/05

As limitações de Sofocleto!

Publicado também em Editorial
Resposta (em cima do joelho) a este post de Sofocleto!
Bom! a partir deste momento sinto-me com legitimidade para dizer o que penso sem peias...
Eu, por acaso acho o "meu discurso" sem brilho de forma e cheio de conteúdo. É tudo uma questão de perspectiva, ou de motivação e capacidade, de visão.
Meu caro amigo Sofocleto!
Do que é a realidade, ou do que eu digo, aquilo que você consegue ver e perceber é um problema seu, decorrente das suas capacidades/motivações, da "educação" que você fez (ou lhe fizeram), da sua maneira de pensar. Não me envolva nas suas dificuldades e problemas de lógica e conhecimento, porque isso não é justo.
Resumindo, (porque o meu amigo já disse tudo e, portanto, pode-se resumir):
Acusa o meu discurso de "Ausência de conteúdo", porque eu "não esclareci, infelizmente, que alterações são essas"...
Aí está uma prova de que o meu amigo me leu com ideias pré-concebidas e não percebeu nada, ou finge não perceber, porque convém às suas concepções e opções políticas. Perdi eu tanto latim para tentar explicar que as transformações são as que forem, não podem nem devem ser impostas, à priori, por ninguém; que detesto os teóricos da treta que vivem agarrados a "ideais" que pretendem impor à realidade, quando os processos evolutivos devem ser ao contrário: devem partir da realidade, para receber uma resposta destas...
É frustrante, confesso!
Aliás, deixe-me que lhe diga que aquela frase de que eu tanto gosto: "as gerações futuras não darão um chavo pelo que nós dizemos acerca do que deve, ou não ser feito", eu aprendi-a lendo Engels... Sabe quem é?
Ou seja: essa vossa mania de impor modelos prontinhos, como bons e únicos adoptáveis, mas de cujos se arvoram em proprietários, já se transformou num dos principais entraves à vossa contribuição positiva para a resolução dos nossos problemas reais. Vocês preferem viver no mundo das ideias! É mais cómodo! Dá menos maçadas e fica-se sempre com a razão... Quanto a soluções? Basta papaguear umas quantas generalidades e optar por um modelo prontinho a usar, mesmo que isso nada tenha a ver com a realidade nem com a opinião da generalidade da população.
Opinião da generalidade da população?
O que é isso? Existe?
Deve existir? Deve-se ter em conta?
O meu outro grande defeito é imodéstia!
Ahah! Com essa o meu amigo vem de carrinho e vai de carroça. Porque eu não sei para o que é que isso serve, qual a sua utilidade para a resolução dos problemas, mas sei que é muito útil para manter o status actual dos que o têm e o não merecem e também que é muito útil para que não haja soluções para os problemas da sociedade, para empurrar as pessoas para soluções que o não são... Também já sabemos no que isso dá.
Meu caro, meta na sua cabeça o seguinte: Eu sei como resolver os problemas mais prementes da nossa sociedade e não vou deixar de saber ou de o dizer, apenas por deferência para com as suas concepções burguesas, parvas, úteis apenas para os patifes (para a maçonaria, etc), nem por deferência para com as suas próprias dificuldades intelectuais.
Boa tentativa, mas não resultou! Só fico com curiosidade de saber a que interesses instalados se deveu o esforço!
Eu sofro de imodéstia. E o meu amigo sofre de quê, ao dizer tantas atoardas, sem qualquer base de conhecimento, objectivo? Por acaso sabe qual a adesão das pessoas às minhas ideias, ou às suas? Por acaso pode garantir, ou afirmar, que eu não sei o que digo que sei? Com que fundamento? Ah! Pois é! Os seus conceitos e "princípios" absurdos que ficam feridos.
Parece que também aí, ao nível desses conceitos, muita coisa tem de mudar...
Essa mudança? O que é que acha? Ou as ideias absurdas e disparatadas têm de ser imutáveis, porque o meu amigo se dá muito bem com elas? Os seus novos paradigmas não as contemplam? Pois deviam!
Mas deixe-me que lhe pergunte: Eu cometo o grande pecado da imodéstia por assumir que sei como resolver os problemas e que há mais quem saiba, o que, aliás, é uma questão de deformação académica, porque o facto de existirem soluções e pessoas capazes de as formularem e idealizarem é "UMA LEI DA VIDA". É um FACTO só desmentido por ignorantes. Mas claro! Se cada um se inibir de dizer o que sabe e o que sente acerca do assunto, tudo fica na mesma, porque haverá soluções, mas ninguém o pode assumir, sob pena de ser acusado de imodéstia. Portanto, o meu amigo, pretende defender o actual estado de coisas e legitimar, por falta de alternativas, os actuais "notáveis"?
Arrume as suas ideias, que bem precisa!

2005/10/03

Mobilizar para...

Acerca do post "o fim do emprego" publicado no Editorial
A questão que coloco é: qual deve ser, na actual conjuntura, o papel dos intelectuais e (analistas): se o de mobilizar para o desespero, se o de mobilizar para as soluções.

"De facto, começo a sentir "complexos" de "desmancha prazeres"!
Vocês louvaminham um artigo destes, como se os nossos problemas adviessem de défice de análises, objectivas e coerentes, da realidade actual.
Meus amigos!
As análises da realidade abundam; e não "pecam" por ausência ou deficiência de objectividade. O que escassei (e também não se vê neste artigo) é o assumir de soluções, ou vias de resolução dos nossos problemas colectivos.
É falso que "o problema não tenha, mesmo no sistema vigente, solução visível". O que é verdade é que o autor do artigo não vê a solução, ou soluções. Agora, a partir daí (das suas próprias limitações), concluir que "não tem soluções", já é presunção (ou elitismo destrutivo) a mais...
Entre os piores entraves às soluções dos nossos problemas estão, não as regras do sistema vigente, mas as suas violações (das regras). Isso é o primeiro factor que, alguém de bom senso e de boa-fé, terá de assumir. Logo, há que assumir as próprias omissões...
Depois, se as pessoas avançarem um passo, nas suas concepções ideológicas e nível de esclarecimento intelectual, para perceberem que TUDO tem solução, na sociedade, entre as pessoas (que é para isso mesmo e por isso mesmo que somos PESSOAS e não um outro bicho qualquer), as coisas tornam-se mais simples. Porque, para cada problema (ou para o conjunto dos problemas) basta procurar as soluções entre as pessoas.
Lá porque a casta de intelectualoides existentes, exclui, como convém à perpetuação da actual situação (por via da inexistência de soluções) todas as pessoas com alguma maior e melhor (mais esclarecida) visão das coisas, isso não pode significar que essa ausência de soluções, aliás falsa, possa ou deva ser eregida como lei, de cuja não há escapatória.
Isso também convém aos que controlam a sociedade, porque cerca, intelectualmente, os influenciáveis, deixando-os sem saída, bloqueando os caminhos a seguir.
De facto, não há como me reconciliar com estes "teorizadores e analistas de meia tigela".
Dizer (ou repetir, o que dá no mesmo) umas quantas evidências, para depois conduzir as pessoas para "becos sem saída", não faz o meu género, nem é coisa que eu possa deixar passar em claro.
Se Dacosta tem alguma proposta de "sistema alternativo", então que a enuncie, para que possamos avaliá-la. Se não, que não contribua para engrossar e piorar a "poluição ideológica", que sofoca e desespera a sociedade."