2006/05/01

Delapidação do Erário Público III.

Publicado também em Editorial
No post anterior prometi que faria as contas ao esbanjamento que representam as reformas milionárias ali denunciadas e também as outras formas de delapidação que aqui têm sido descritas.

Mas antes permitam-me que passe, para aqui, parte dum comentário escrito para responder a um “anonymous” ansioso, que por aí anda a tentar atemorizar e a repetir falácias, disparates e absurdos que já conhecemos de longa data e nos enojam:

“Descontaram para ter essas reformas? Mentiiiira!
O máximo que um trabalhador desconta é 11,5% do vencimento. Estamos a falar de pessoas que começaram a descontar tarde (ao contrário de mim que comecei em 1962, com menos de treze anos...), pelo menos neste nível de remunerações.
Mesmo admitindo que tiveram, sempre, estas remunerações, terão descontado, por mês, cerca de 635 €uros, (considerando a maioria dos casos; ou seja um vencimento de 5 500€uros).
Mas, aumentemos o vencimento correspondente a estas reformas para 6 500€uros. Teremos um desconto mensal de cerca de 750€uros...
Numa boa parte destes casos também estamos a falar de pessoas que terão mais tempo de reforma do que tiveram de carreira contributiva... Ou seja, se lhes fossem pagas reformas de 1 200€uros a 1 500€uros ainda receberiam demais, para o que descontaram...
Ora, se em relação a um trabalhador normal, que ganhe 700 ou 800 €uros e que fique com uma reforma de 650€uros, é óbvio que a diferença entre o que descontou e o que recebe de reforma será sempre inferior aos mesmos 650€uros, nestes casos aqui denunciados, essa diferença (entre o valor descontado e a reforma) é superior a 4 000€uros; ou seja, esta diferença é superior a 6 daquelas reformas... E há muita gente com reformas inferiores a 650€uros.
Estamos a falar de reformas, de a sociedade manter pessoas que deixam a vida activa (que deixam de produzir, de ser úteis), falamos de segurança social, de solidariedade... tudo coisas incompatíveis com essa lógica de gangsters...

Vamos ao prometido!
Apenas nos casos que são citados, reduzindo estas pensões para um valor aceitável, de cerca de 1 500€uros por mês, o estado pouparia (deixaria de esbanjar injustificadamente) cerca de 387 500€uros; ou seja poupar-se-iam: 5 037 500€uros, por ano
Já vimos que, relativamente aos deputados, se fosse valorada a abstenção e saíssem, do parlamento, os 87 deputados que NÃO foram eleitos, o Estado pouparia 5 milhões de €uros, por ano, tomando como referência as previsões para este ano…
Mas se, para além de ser valorada a abstenção, o número máximo de deputados fosse reduzido para 150 (mais do que suficientes para a inutilidade demonstrada), então o estado passaria a poupar 7,6 milhões de Euros, por ano

O que significa que, só aqui, o Erário Público economizaria (5 037 500 + 5 003 000 =) 10 040 000€uros
Não se esqueçam de que estes são apenas alguns dos muitos escândalos semelhantes…
Percorrendo apenas alguns dos outros postes linkados em “Delapidação Do Erário Público II” e fazendo as respectivas contas, obtemos ainda:
500 mil euros de pensões e “mordomias" pagos INDEVIDAMENTE aos deputados que deixaram a AR…
Mais 213 mil euros doutras chulices semelhantes…
Mas há muito mais. Olhem! Entretenham-se a fazer, também, algumas contas

No entanto, só neste apanhado despreocupado, incompleto e escasso, juntamos 10 750 mil €uros (10,7 milhões de €uros)…
Se considerarmos a redução do número máximo de deputados para 150, esse valor (da redução de gastos) ascenderia a 13 297 mil €uros (13,3 milhões de €uros)… que prefazem 9,45 da despesa corrente total, que é de 141 milhões de €uros.

Tendo em conta a ausência de rigor destes cálculos, temos de admitir que aquele valor possa ser duplicado, poupando-se uma verba equivalente a cerca de 20% da despesa
Tudo isto sem agravar as condições de vida da população, sem tirar o pão da boca a quem não tem, sem aumentar a miséria e o desespero dos cidadãos… Apenas moralizando e implementando um mínimo de idoneidade e dignidade nos procedimentos.

Mas não acreditem em mim! Deixem a população decidir, sobre estas matérias, como deve ser em democracia.
Imaginem o impulso, na economia, que seria possível com uma aplicação correcta destas verbas e o quanto isso melhoraria as nossas condições de vida; imaginem a redução na carga fiscal que poderia ser implementada e o quanto a situação económica (o mercado) beneficiaria com isso
Não é por serem mais espertos que os outros países (incluindo a Espanha) têm situações económicas melhores do que a nossa; é porque têm governantes mais dignos, mais idóneos e mais íntegros; é porque não estão subjugados aos ditames e aos interesses criminosos, prepotentes, arrivistas e reaccionários, de máfias e de bandidos...
Quanta frustração… ver a nossa situação a degradar-se, inutilmente, criminosamente, sem qualquer justificação, ou motivo, que não seja a perfídia de quem nos governa….
Comentário deixado, no Editorial, neste mesmo post, por anonymous:
"em Inglaterra, a reforma tem um valor uniforme independentemente de quanto um cidadão ganhou/descontou durante a vida activa... é um valor que é calculado de modo a que se possa usufruir uma "velhice sem carências".
Neste sistema o rico recebe tanto como o pobre pois consideram eles que se ganharam muito - já o lá têm!!!... eu acho-o um sistema JUSTO, mas com certeza que nunca será copiado para este país com graves carências de cidadania..."
Cárências de cidadania e de idoneidade e honestidade dos políticos. Por isso eu defendo a valoração da abstenção, como forma de responsabilizar essa escumalha!